Estrela cadente que passa
sem quedar-se junto a mim,
o céu noturno é seu jardim,
fulgurante o atravessa.
Seu brilho, uma vez me cegou,
tornei-me apenas penumbra
silente, que ainda relembra
do calor que não me queimou.
Meus olhos parecem ser sábios,
mas a minha maior sabedoria
é a crença de que algum dia
abrasaria os nossos lábios.
Portanto, escapa contente:
irei acolhê-la se mais distante.
